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4 complexidades em compras e como superá-las

4 complexidades em compras e como superá-las

Camila Monteiro

Bem informados e cada vez mais exigentes, os clientes anseiam por serviços inovadores, que ofereçam transparência, agilidade e flexibilidade às suas jornadas de compra. E à medida que buscam atender a essas expectativas, expandindo seus portfólios e serviços, os fornecedores podem acabar colaborando para o aumento da complexidade e dos riscos nas cadeias de suprimento. 

Complexidade digital

Quando falamos de suprimentos em saúde, a relação com fornecedores é, muitas vezes, baseada na falta de confiança e pouco controle; no que se refere a prazos, qualidade duvidosa e preços. Mas as soluções digitais, cada vez mais avançadas, podem ajudar no sucesso dessa missão.

A adoção de ferramentas disruptivas, que contam com inteligência artificial, permite que os abastecimentos sejam feitos com mais rapidez, em menor tempo e com os melhores preços e prazos. 

Não por acaso, pesquisas revelam que líderes do setor de compras no Brasil elegeram a automação na nuvem, integração de sistemas, Big Data e Analytic, como as principais tecnologias disruptivas que podem fazer a diferença no setor de compras. 

Essas tecnologias dispõem de uma série de soluções que reúnem análise de dados, gestão de relacionamento com o fornecedor (SRM), digitalização das contas a pagar, redes compartilhadas da cadeia de suprimentos, e-marketplace e muito mais. 

No entanto, a eficiência dessas soluções depende da integração, padronização e  qualidade dos dados. Nesse ponto, vale contar com o suporte da área de TI e estabelecer parceria com fornecedores que já dispõem de uma base digital, permitindo o compartilhamento de informações em tempo real. 

Complexidades externas

Guerras comerciais, câmbio, oscilação das taxas, incertezas sobre o mercado, crises globais — e aqui é inevitável citar os impactos do Covid-19. Esses são alguns exemplos de riscos que adicionam complexidades externas ao setor de compras.

Em outras palavras, é tudo o que acontece fora das quatro paredes da empresa, mas que impactam internamente, podendo levar à quebra no fluxo da cadeia de suprimentos.

Os gestores de Compras bem sabem como esse mercado é dinâmico e volátil. Mas são poucos os que se consideram realmente preparados para lidar com mudanças repentinas. Ser capaz de identificar riscos potenciais pode ajudar o gestor a se planejar melhor para os imprevistos e adquirir uma vantagem competitiva. E aqui vão alguns insights:

Embora muitas relações comerciais sejam sólidas e confiáveis, depositar todas as fichas em um único parceiro comercial é abrir mão da segurança da cadeia de suprimentos.

Isso porque, imprevistos, como os citados acima, podem acontecer a qualquer momento e prejudicar o cumprimento do contrato. 

Dessa forma,  diversificar a sua base de fornecedores é fundamental para garantir o atendimento às necessidades do negócio. Sem contar que você terá acesso a uma maior gama de produtos e ainda conseguirá reduzir o poder de barganha dos grandes fornecedores. 

Investir em parceiros digitais é outra dica de ouro, pois significa menos desperdício, maior controle e precisão; uma vez que as soluções integradas são projetadas para identificar padrões e antecipar às necessidades dos clientes.

Complexidades internas

Muitas vezes, as causas da complexidade não vêm de fontes externas, mas estão relacionadas à maneira como o negócio funciona. Nesse caso, o desafio está em alinhar as estratégias do setor de compras aos objetivos mais amplos do negócio

O primeiro passo para superar essa complexidade interna depende dos esforços do setor de compras em entender as particularidades das outras áreas da empresa, como financeiro e operações.

Com esse conhecimento, será possível envolver os demais executivos nas decisões estratégicas de compras e vencer a complexidade da desconexão entre áreas, principalmente a digital.

O gerenciamento de infinitas soluções digitais que pouco dialogam entre si, sejam elas desenvolvidas internamente ou adquiridas de terceiros, é um exemplo desse desalinhamento, que acaba tomando muito tempo e impossibilita que o setor de compras consiga focar em outras iniciativas, como novas parcerias e melhoria da base de fornecedores.

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A dica, então, é: alinhar as estratégias digitais com o departamento de TI e focar em soluções automatizadas, que promovam a integração entre os setores (principalmente financeiro e operações) e a colaboração com os fornecedores, para apoiar a segurança do fornecimento e o desenvolvimento ágil da empresa.

Complexidade de talento

Uma das maiores ameaças à inovação na área de compras é a falta de mão de obra especializada. De acordo com pesquisas recentes, a demanda supera a oferta com até 6 vagas para cada candidato qualificado. 

A escassez de talentos apresenta diversas causas. Uma delas é a ideia de “falta de prestígio e oportunidades” da profissão, quando comparada com outras áreas. A boa notícia é que com as recentes transformações tecnológicas, como o uso maciço da internet e a popularização dos e-commerce, essa impressão começou a mudar. 

Isso porque, as empresas já perceberam que uma cadeia de suprimentos sustentável e funcional significa maior vantagem competitiva e crescimento do negócio, o que fez aumentar os investimentos no setor como nunca antes.

Outro desafio está relacionado a falta de habilidades e competências necessárias para atuar em um setor em constante transformação, cada vez mais estratégico e tecnológico.  O funcionário ideal deve ter a combinação de conhecimentos operacionais e analíticos, mas também apresentar capacidade de liderança, inovação e digital. 

A superação dessa complexidade passa por caminhos como o treinamento da equipe atual, rotação em diferentes funções na estrutura de compras, contratação especializada e sob demanda e colaboração com fornecedores e parceiros de negócios, por meio da automação e terceirização de processos (BPOs)

Com essas quatro dicas espero que você consiga enxergar a complexidade mais como uma oportunidade e menos como um obstáculo para o seu negócio, uma vez que ela é parte do processo de evolução da empresa.

Em outras palavras, estar atento e preparado para lidar com essas novas demandas e comportamentos de consumo é essencial para gerar uma cadeia de valor sustentável, responsiva e eficiente. 

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