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Soluções para atrair e reter talentos em um cenário complexo

Soluções para atrair e reter talentos em um cenário complexo

André Iaconelli
Soluções para atrair e reter talentos em um cenário complexo

Texto traduzido e adaptado para o português, do Deloitte CPO Survey 2019. Veja na fonte.

Um dos maiores desafios enfrentados pelos Gestores de Compras atualmente, se refere à retenção de profissionais qualificados e recrutamento de novos membros para as suas equipes. Esses talentos desempenham o papel fundamental de lidar com as rotinas cada vez mais complexas do setor de compras.

Acontece que o perfil desses “profissionais modelos” muda rapidamente, assim como mudam as preocupações de conformidade legal relacionadas aos trabalhadores temporários; e para dominar o desafio relacionado à escassez da mão de obra qualificada, os Gestores de Compras terão que abraçar novas formas de pensar o talento.

A alta competição por talentos é uma realidade nas empresas, que normalmente contam com um candidato qualificado para cada seis vagas. Os Gestores de Compras ainda precisam investir tempo e esforço na busca por profissionais com os níveis técnicos e analíticos necessários; além de habilidades empresariais como liderança, para a execução de estratégias de alta prioridade.

No entanto, existem barreiras consideráveis para a retenção de talentos. Para 70% dos Gestores de Compras, a profissão carece de prestígio e oportunidades de crescimento na carreira. Não à toa, 55% das empresas revelaram maior dificuldade para atrair profissionais qualificados nos últimos 12 meses. 

Mas há aqui uma descoberta interessante: a pesquisa descobriu que os mestres da complexidade (organizações de compras com desempenho de alta performance e que lidam com ambientes altamente complexos) buscam utilizar headhunters de talentos para apoiá-los nas contratações em 28 % dos casos, em comparação com os 20% das demais empresas.

As fontes de talento externo assumem diversas formas, e os estudos indicam que muitos desses canais incluem prestadores de serviço independentes (21%), especialista contratados por projeto (17%) e centros offshore (7%). 

Dominar a gestão de talentos se resume ao desafio de lidar com as características complexas de recrutamento para o setor de compras. Sendo eles:

  • A escassez de candidatos especializados;
  • A ausência de habilidade da equipe atual, diante das capacidades necessárias para execução da tarefa;
  • A forma como os Gestores de Compras conduzem a estratégia de talentos, diante de um setor cada vez mais digital.

O domínio dessa complexidade significa que os líderes de compras devem encontrar o equilíbrio ideal entre o treinamento dos funcionários atuais e o recrutamento de profissionais de alto nível.

O impacto dessa ausência de talentos é profundamente sentido pelos Gestores de Compras. Segundo a pesquisa, menos da metade dos gestores acreditam que suas equipes estejam, de fato, preparadas para executar as estratégias do setor (Figura 1). 

Muito dessa lacuna se deve ao conjunto de competências e habilidades mais complexas exigidas pela área de compras, que precisa entregar uma proposta de valor mais ampla, o que inclui recursos voltados para o digital.

Figura 1 – O nível de confiança dos Gestores de Compras nas habilidades estratégicas de suas equipes diminuiu.
Fonte: Deloitte Global CPO Survey, 2019

Por outro lado, os dados revelam que os mestres da complexidade estão muito mais confiantes com as suas equipes, quando comparados com os demais Gestores de Compras, com 66% deles acreditando na capacidade de execução dos seus times.

Outra estratégia que ajuda a diminuir as lacunas da falta de habilidade técnica nos departamentos de compras é a capacitação. Treinamentos em sourcing estratégico / gerenciamento de categoria (68%) e em negociação (59%) foram classificadas como as duas principais prioridades do setor. Gerenciamento de projetos ficou em terceiro lugar, com 40% das capacitações (Figura 2).

Figura 2 – Os Gestores de Compras definiram o sourcing estratégico e o gerenciamento de categorias como as áreas que receberão maior investimento em treinamento específico para os próximos 12 meses.
Fonte: Deloitte Global CPO Survey, 2019.

Vale ressaltar, ainda, a colaboração entre fornecedores e parceiros de negócios. Segundo a pesquisa, 64% dos Gestores de Compras têm a intenção de treinar nessa área crítica, aplicando as melhores práticas de CRM ao recurso de Gestão de Relacionamento com Fornecedores (do inglês Supplier Relationship Management (SRM)).

O setor também requer soft skills (ou habilidades interpessoais), como treinamento de gerentes (38%), gerenciamento de conflito (32%) e inteligência emocional (31%), necessárias para realizar um trabalho de transformação (Figura 3).

Figura 3 – Parceria de negócios e gestão de relacionamentos emergiram como as principais habilidades interpessoais que serão treinadas pelos Gestores de Compras nos próximos 12 meses. 
Fonte: Deloitte Global CPO Survey, 2019

Transformação pelo digital

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A verdadeira mudança no campo da capacitação vem do digital, que inclui tanto o treinamento específico em aplicativos de source-to-pay (S2P) como em ferramentas tecnológicas mais genéricas, porém em constante evolução, como analytics — que podem assumir a forma de visualização básica / dashboards ou análises preditivas mais sofisticadas e Inteligência Artificial (IA) (figura 4).

Figura 4 – Os Gestores de Compras identificaram a visualização básica de dados e análise de previsão como as principais áreas que serão treinadas nos próximos 12 meses.
Fonte: Deloitte Global CPO Survey, 2019

Isso significa dizer que os Gestores de Compras capazes de dominar a complexidade dos modelos existentes, a exemplo da terceirização de processos (BPO), e, ao mesmo tempo, empregar novos modelos, como um maior uso das agências de recrutamento, serão os mais preparados para superar esses desafios relacionados ao talento.

Acontece que, para a maioria das empresas, essa abordagem está longe de ser comum. Apenas 11% das funções da cadeia de suprimentos e da área de compras utilizam agências de recrutamento de forma constante; enquanto que na área de Tecnologia da Informação (TI) essa participação sobe para 25%.

No fim das contas, os mestres do talento são os mestres dos resultados. Eles são capazes de agregar valor com todos os recursos disponíveis, liderando e conduzindo os talentos para os resultados desejado. Então, quais ações adotar para melhorar o domínio da gestão de talentos? Listamos aqui alguns caminhos:

  1. Investir em talentos que se alinhem com os objetivos principais do negócio. Os Gestores de Compras precisam estar certos de que seus investimentos no talento espelham a estratégia de sua organização. Há vários fatores a serem considerados para o investimento nesses talentos, e eles serão diferentes dependendo do contexto. Alguns questionamentos são:
  • Nossa base de suprimentos está mudando rapidamente? Estamos avaliando novas fontes de suprimentos?
  • Com a contratação de alguns talentos de peso para o nosso setor de suprimentos, estaremos preparados para investir esforços na gestão de relacionamento com os principais fornecedores?
  • Implementamos recentemente um novo pacote de software que requer novas habilidades técnicas?
  • As mudanças na nossa indústria exigem que a nossa equipe de suprimentos se familiarize com novas tecnologias para apoiar o desenvolvimento de produtos?

2. Ampliar a rede de busca de talento. A reformulação da estratégia de talentos pode assumir diversas formas. E a expansão da meta de terceirização inclui a requalificação ou qualificação dos profissionais atuais, seja por meio de treinamento ou criação de canais de recrutamento (exemplo: parcerias com universidades para desenvolver futuros agentes especializados para a indústria de suprimentos e de compras).  Vale ressaltar também a terceirização de processos (BPO), a contratação de força de trabalho “gig”, e os serviços de gestão da cadeia de suprimentos.

3. Seja digital: explore novos mercados digitais para acessar os talentos de difícil acesso na “economia gig”. Nos últimos anos, vem aumentando o número de profissionais especializados que estão migrando de contratos tradicionais de trabalho para acordos freelance. A “economia gig” não consiste apenas em tarefas básicas e entregas sob demanda; ela também é composta por serviços cada vez mais complexos e trabalhadores altamente qualificados, muitos dos quais são intermediados pelo mercado digital de talentos. Novas plataformas estão surgindo para ajudar as empresas a encontrarem esses talentos autônomos preciosos, bem como gerenciar a interação entre as duas partes — desde a definição do escopo do projeto até a administração do pagamento.

Diante de tudo isso, vai aí um último conselho: se há um conjunto de habilidades ou conhecimento que uma organização de compras precisa investir, é melhor que ela considere uma abordagem do século XXI.

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