Você está lendo
O bom, o mau e o digital

O bom, o mau e o digital

Raphael Gordilho

Texto traduzido e adaptado para o português, do Deloitte CPO Survey 2019. Veja na fonte.

Domine a transformação digital para desvendar a complexidade de compras

Se houvesse uma palavra para descrever o cenário atual da Gestão de Compras ela seria complexidade. Atualmente, os departamentos de compras sustentam um enorme e confuso conjunto de responsabilidades, e a cada nova ação tomada, mais um nó é criado em uma rede cada vez mais complexa e desafiadora.

Algumas destas responsabilidades estão presentes desde sempre, como a constante preocupação com a redução de custos. Outras são reações a novos problemas, como os altos níveis de risco e incertezas comuns ao mundo dos negócios atual. Pesquisas recentes indicam que mais de 60% das empresas percebem um aumento do risco relacionado ao setor de compras, nos últimos 12 meses. As regras do comércio global estão sendo desafiadas por mudanças em pactos, taxas e dinâmicas, e tal contexto acaba sendo evidenciado na cadeia de suprimentos (confira o quadro 1, abaixo).

Embora o mandato dos Gestores de Compras para reduzirem custos e riscos seja muito claro, a capacidade de execução é outra história. Devidos aos seus recursos limitados, muitos líderes do setor de compras tem tido dificuldades em lidar com as diversas demandas internas, que concorrem entre si .

Os gestores de compras estão enfrentando problemas na hora de de determinar como melhor cumprir todos os pontos acordados com fornecedores, ao mesmo tempo que precisam alcançar metas mais ambiciosas, como parcerias estratégicas de negócios e contribuições inovadoras. Além disso tudo, também lutam com uma frequência cada vez maior contra os diversos incêndios que devem apagar em sua operação. Como ponderou um Gestor de Compras durante o estudo, “Muitas ações são apressadas, ultrapassadas ou sem direcionamento, o que cria maior complexidade”.

QUADRO 1

Uma mudança no foco e na abordagem dos negócios

De acordo com os resultados da pesquisa, atualmente, os principais cenários de riscos para os  fabricantes são: desaceleração/deflação econômica (56%), guerras comerciais (48%), incertezas com o Brexit (31%) e desaceleração da China (27%).

A cadeia de valor está sendo fundamentalmente reestruturada — com uma mudança gradual das cadeias de suprimentos altamente globalizadas para uma gestão cada vez mais regional e localizada. Este é um assunto presente na apresentação de resultados dos CEOs, que também diz respeito às responsabilidades dos Gestores de Compras.

Os resultados da pesquisa revelam que as duas principais estratégias de negócios de “grande prioridade” para os próximos 12 meses são: a preocupação constante com a redução de custos (70%), seguida de perto pelo foco crescente na redução de riscos (55%).

Enfrentar o crescente aumento do escopo de responsabilidades não permite que os Gestores de Compras relaxem, por isso eles acabam lamentando a complexidade. Mas se esse departamento assumir um papel proativo, é possível identificar e atacar a complexidade diretamente. Essa mudança normalmente assume duas formas:

  1. Acabando com a “má complexidade”. A complexidade que apresenta riscos e dificulta o desempenho do setor de compras deve ser eliminada sempre que possível. Por exemplo, eventos que provocam a quebra da cadeia de suprimentos — como desastres naturais, pandemias, conflitos geopolíticos e ciberataques — aumentaram a percepção de risco do mercado de suprimentos nos últimos anos. No entanto, mais de 50% das organizações que participaram da pesquisa, afirmam que as ferramentas digitais disponíveis para detectar e prever riscos para seus negócios, não geram valor ou são insatisfatórias.
  2. Adotando a “boa complexidade”. A complexidade pode ser explorada para expandir a influência do setor de compras nas empresas, indo além do tradicional gerenciamento de gastos centrado no abastecimento, para um modelo mais estratégico, engajado e com serviços mais abrangente. 

A pesquisa destaca que para adotar e eliminar a complexidade de forma eficaz é necessário ter uma ação fundamental em mente: a transformação digital. Se os Gestores de Compras dominam esta área central, eles serão capazes de dominar todas as outras formas de complexidade. 

Mais do que a palavra da moda, a transformação digital se tornou imperativa para a alta performance de áreas de compras. Além do mais, a transformação digital assumiu um papel central na transformação do negócio. O que significa que o Gestor de Compras não poderá promover uma mudança significativa sem levar em conta a complexidade e se transformar, ou ainda conduzir a evolução de forma eficaz sem recorrer a fornecedores também capacitados digitalmente.

Nesse caso, os resultados da pesquisa indicam que áreas de compras de alta performance, que são capazes de entregar mais valor em um ambiente de alta complexidade, contam com habilidades digitais mais fortes do que as mesmas áreas, em outras empresas. Elas também possuem um maior alinhamento com outros departamentos, como  Tecnologia da Informação (TI) e Compliance, além de modelos de operação mais flexíveis e digitais. Não à toa, essas equipes/empresas são chamadas pelo estudo de mestres da complexidade (confira o quadro 2, abaixo).

Veja também
Tradicional X Digital: qual melhor processo de compras?

No entanto, para que a transformação digital seja eficaz, é necessário que a equipe de compras aprenda de forma proativa e adote ferramentas tecnológicas mais flexíveis e intuitivas. O que indica que o modelo operacional de compras está mudando, não tanto em relação à terceirização tradicional, mas em direção à modelos mais flexíveis e digitais.

QUADRO 2

Como são os mestres da complexidade?

Para esta edição do estudo, a Deloitte optou por estudar com a área de compras de empresas no quartil mais alto de performance e complexidade.. As métricas apresentadas na figura abaixo destacam as diferenças de desempenho entre as 40 empresas mestres da complexidade, contra as outras 481 empresas do relatório.

Desempenho dos mestres da complexidade contra os outros

Fonte: Deloitte Global CPO Survey, 2019

A pesquisa descobriu que as áreas de compras de alta performance contam com profissionais de alto nível e softwares baseados em nuvem (especialmente aqueles com análise preditiva). E, por meio desses recursos, ainda contribuem para a digitalização de outros departamentos. 

 Além disso, a terceirização de processos de negócios (BPOs) está sendo transformada à medida que essas empresas automatizam agressivamente seus processos através da robotização (RPA), mudando o status de “oficinas” para transformadores digitais.Resumindo, os Gestores de Compras que se tornarem mestres da complexidade digitalmente preparados, serão capazes de agregar valor em sintonia com o negócio, estando mais preparados para superar qualquer adversidade.

Todos os direitos reservados. Rapicare SA ® 2019